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O Comité Olímpico de Portugal (COP) celebrou no Dia Internacional da Mulher as atletas olímpicas que, após a sua carreira desportiva ao mais alto nível, enveredaram pelo empreendedorismo e deram corpo a capacidades, porventura adquiridas durante o percurso desportivo, para construir projetos próprios.

 

Foram 14 as atletas participantes em Jogos Olímpicos, de Los Angeles 1984 ao Rio 2016, que no auditório do COP, em Lisboa, receberam o tributo de quem lhes reconhece serem um exemplo inspirador de transformação da experiência e da motivação colhidas no desporto em projetos profissionais bem sucedidos numa nova fase das suas vidas:

 

Helena Rodrigues

«Atleta olímpica de Canoagem em Pequim 2008 e Londres 2012, detém um espaço de terapia manual, para correção de problemas biomecânicos e posturais, oferecendo uma abordagem integrada da saúde humana e combinando os conhecimentos base das ciências médicas e da saúde com os das terapias complementares, como a fisioterapia e a osteopatia.

 

Helena Rodrigues citou Saint-Éxupery, quando foi homenageada: «Aqueles que passam por nós não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.’ Eu deixei algo à minha modalidade, mas ela ter-me-á deixado mais. Ensinou-me a capacidade de superação. Eu sempre soube o que queria, ir aos Jogos Olímpicos e ter um gabinete de fisioterapia. Sempre fiz desporto, a Canoagem deu-me muito e aquilo que sou hoje devo-o a ela. O desporto torna-nos pessoas melhores, é isso que digo aos meus filhos. Quem passa por ele encara a vida de uma forma diferente.»

 

O presidente do COP, José Manuel Constantino, explicou que esta homenagem do Dia Internacional da Mulher teve um propósito: “Procurámos reconhecer o vosso exemplo, para outros atletas que, terminando a carreira, procuram ir à luta e construir o seu negócio. O vosso testemunho é um motivo que acrescenta valor”, defendeu.

 

A finalizar falou João Paulo Rebelo, secretário de Estado da Juventude e Desporto: “Estes são exemplos inspiradores que temos de replicar. Esta causa dos direitos das mulheres infelizmente ainda continua muito atual.” E comparou a primeira participação de mulheres portuguesas em Jogos Olímpicos – três, em Helsínquia 1952 – com a de Tóquio 2020 – onde estiveram 36. “Estamos além de onde estivemos, mas estamos muito aquém de onde queremos verdadeiramente estar.”